Tese da UFSC (PPGRI & NEGPEI) sobre direitos reprodutivos na América Latina vence prêmio nacional

31/07/2025 18:55

Este texto foi escrito por Ana Paula Lückman (jornalista da UFSC) e publicado no UFSC Notícias. A versão original pode ser acessada aqui.

Alessandra Jungs de Almeida defendeu a tese em 2 de agosto de 2024, no Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais. Foto: Divulgação/UFSC

Movimentos feministas organizados no Sul global são capazes de difundir e trabalhar pela internalização de normas sobre direitos reprodutivos, sem depender predominantemente das estruturas e organizações do Norte global. Essa análise, que desafia a literatura clássica de Relações Internacionais, é uma das principais contribuições da tese “Direitos reprodutivos na América Latina: ativismos transnacionais e a evolução das políticas de legalização e criminalização do abordo na Argentina e no Brasil (2010-2022)”, defendida em 2024 pela pesquisadora Alessandra Jungs de Almeida no Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais da Universidade Federal de Santa Catarina (PPGRI/UFSC). O trabalho foi o primeiro colocado no Prêmio Marcos Costa Lima 2025, promovido pela Associação Brasileira de Relações Internacionais (ABRI).

Na tese, Alessandra enfatiza a importância de estudar a temática dos direitos reprodutivos sob o ponto de vista do Sul global, não apenas geograficamente, mas a partir de uma posição política e identitária. “Fazer uma pesquisa com um olhar comprometido com o feminismo latino-americano produz uma forma distinta de fazer pesquisa, um olhar que tem também um compromisso político com a realidade vivida”, considera. Isso, ressalta, levando-se em conta as suas disputas históricas travadas no âmbito do feminismo, “entendendo como absurdo o cotidiano das violações de direitos sexuais e reprodutivos, e reconhecendo a experiência concreta de quem vive os impactos da negação desses direitos, como o direito humano de decidir continuar ou não com uma gravidez, e de criar seus filhos em condições dignas”.

Premiação foi anunciada em 23 de julho de 2025. Foto: Divulgação/UFSC

Em sua análise, Alessandra observa que os feminismos latino-americanos, como os do Brasil e da Argentina, foram capazes de fazer circular normas sobre o direito ao aborto na região de forma autônoma, sem a necessidade de pressionar instituições do Norte global, contrariando o que as RI chamam de “efeito bumerangue”. “Esses ativismos não precisaram da Commission on the Status of Women da Organização das Nações Unidas (ONU), nem do que as Relações Internacionais chamam de ‘efeito bumerangue’, que é quando se pressiona instituições ou Estados internacionais, não somente, mas especialmente, do Norte global, para que, por sua vez, pressionem os governos argentino e brasileiro. O que observei foi um movimento autônomo, com capacidade de construir redes, articular estratégias e influenciar políticas públicas e externas a partir da própria região”, descreve.

A metodologia da pesquisa envolveu a combinação de entrevistas com 17 ativistas de organizações e movimentos transnacionais, análise de 770 documentos de fóruns multilaterais – dos quais 249 referem-se a direitos reprodutivos – e análise de discurso de materiais publicados por grupos antiaborto em suas mídias sociais.

Processo político

Apesar da histórica força dos movimentos feministas brasileiro e argentino, a situação dos direitos sexuais e reprodutivos na América Latina ainda é bastante restritiva, com poucas vitórias legais recentes, como no Uruguai (2012), Argentina (2020), Colômbia (2022) e México (2023). Alessandra observa que o crescimento do movimento antidireitos é, paradoxalmente, um sinal de que os movimentos feministas estão tendo impacto positivo na direção da conquista do direito. A pesquisadora argumenta que as feministas estão no caminho certo, trabalhando para enfrentar a desinformação, o estigma e para garantir políticas públicas, além de produzir dados que visibilizam violências estruturais. A autora destaca conquistas importantes como a exclusão da expressão “vida desde a concepção” na Constituição brasileira de 1988 e o direito à interrupção da gravidez em casos de anencefalia, ressaltando a crença na capacidade de mudar o processo político. “Entender que essas leis podem ser mudadas faz também parte do processo. Entrevistei ativistas brasileiras há 40 anos nesta luta. Espero que elas vejam essas mudanças. Eu espero que as gerações atuais, a minha geração, continuem essa luta e conquistemos isso com elas. Nós acertamos, ao meu ver, quando não somos fatalistas e vemos o processo político como possível de ser mudado”, reflete.

O interesse de Alessandra pela temática surgiu do intenso contexto político da década de 2010, marcado pela atuação dos movimentos feministas transnacionais, como o Ni Una Menos, a Greve Internacional de Mulheres (8M) e o movimento Maré Verde pela legalização do aborto, liderado por feministas argentinas. Somou-se a isso a percepção de que esse contexto poderia ser analisado a partir das Relações Internacionais (RI), uma área que, no Brasil, apresentava uma ausência de debates específicos sobre o aborto.

Alessandra Jungs de Almeida. Foto: Divulgação/UFSC

“A partir disso, comecei a observar o potencial da área para analisar esses movimentos transnacionais feministas e também sua relação com a política formal. Comecei a questionar, também em resposta direta às provocações da minha orientadora, professora Mónica Salomón, como o Brasil se posicionava sobre o aborto em fóruns de organismos internacionais, como a ONU; como o movimento da Maré Verde, mesmo tendo origem na Argentina, se capilarizava e se localizava em outras cidades, por meio de uma coordenação transnacionalizada e regional; ou ainda como esses movimentos sociais locais se articulavam com dinâmicas internacionais mais amplas, como as disputas feitas pela Igreja Católica questionando o uso do conceito de gênero”, explica Alessandra. Ela defende que é possível pensar as Relações Internacionais fora dos espaços fechados de governo ou organismos internacionais, “mas também a partir das lutas feitas por diversas pessoas em diferentes cidades, que também estão transnacionalizadas e influindo na política internacional e externa”.

Antifeminismo

Outra análise que Alessandra desenvolve aponta uma expansão do ativismo transnacional contrário ao aborto, que a pesquisadora situa no escopo mais amplo do movimento antifeminista. “Esse movimento se fortalece justamente em resposta aos avanços dos movimentos feministas. Isso é algo que vemos historicamente”, indica. “Por exemplo, em 1973, quando a decisão Roe v. Wade foi aprovada nos Estados Unidos, legalizando o aborto em nível federal, os contramovimentos começaram a se organizar com mais força. Surgem ali as Marchas pela Vida, inicialmente em Washington. E hoje essas marchas estão presentes em diversas cidades do Brasil, da Argentina, do Peru, do México e sempre com o mesmo discurso: defender a vida desde a concepção. Ou seja, é uma reação direta a um avanço legal e político feminista”, descreve. Para a pesquisadora, o crescimento dos grupos conservadores pode ser sinal de que os movimentos feministas estão tendo êxito na divusão e fortalecimento da norma dos direitos sexuais reprodutivos. “O movimento antiaborto se fortalece como reação, o que revela o impacto causado pelos movimentos feministas”.

Alessandra admite ter ficado surpresa com o reconhecimento de sua tese como a melhor da área de Relações Internacionais em 2024: em primeiro lugar, por tratar de um assunto socialmente estigmatizado, como direitos reprodutivos e aborto; em segundo, em função do uso de uma perspectiva feminista e sensível a questões de gênero, o que ainda costuma ser ignorado em muitas áreas do conhecimento, “mas de maneira demarcada nas Relações Internacionais”, enfatiza. “A premiação não é uma conquista só minha: ela também tem um significado para quem vem pesquisando aborto e direitos sexuais e reprodutivos em áreas onde o tema ainda é marginalizado”, finaliza.

Ana Paula Lückman | ana.paula.luckman@ufsc.br
Jornalista da Agecom | UFSC

Pesquisadora do NEGPEI é entrevistada em reportagem e podcast da Revista FAPESP

09/07/2025 16:20

A edição de julho de 2025 da Revista FAPESP traz uma reportagem especial sobre os dez anos da Lei do Feminicídio no Brasil escrita por Mônica Manir. A matéria reúne entrevistas com diversas pesquisadoras que analisam os avanços e os desafios na implementação da lei.

Entre as entrevistadas está a pesquisadora do NEGPEI Alessandra Jungs de Almeida, que falou sobre o livro Estudios Feministas de Seguridad desde América Latina y el Caribe publicado pela BU da UFSC e as ações mais recentes do projeto Dados Contra o Feminicídio.

Leia a reportagem completa aqui: https://revistapesquisa.fapesp.br/lei-do-feminicidio-completa-10-anos/

Escute o podcast aqui: https://revistapesquisa.fapesp.br/violencia-e-odio-contra-as-mulheres/ 

 

NEGPEI apresenta oficina de pesquisa: Softwares de auxílio para análise qualitativa – NVivo

26/06/2025 15:30

No próximo dia 9 de julho, às 18h, o Núcleo de Estudos de Gênero em Política Externa e Internacional (NEGPEI), apresentará uma oficina de pesquisa sobre o uso de softwares para o auxílio a análises qualitativas, com foco no programa “NVivo”. O evento contará com a participação do pesquisador convidado Gabriel Leonhardt Daroit, do Programa de Estudos Estratégicos Internacionais (PPGEEI/UFRGS).

A oficina terá transmissão online por meio do link. Mais informações podem ser disponibilizadas pelos membros do NEGPEI através do site do núcleo.

NEGPEI apresenta oficina de pesquisa: entrevista como instrumento de pesquisa.

25/06/2025 15:48

O Núcleo de Estudos de Gênero em Política Externa e Internacional (NEGPEI) convida toda a comunidade acadêmica a participar da oficina de pesquisa sobre o uso de entrevistas como instrumento de pesquisa, a qual será ministrada pela pesquisadora do NEGPEI, Alessandra Jungs de Almeida.

O evento ocorrerá no dia 10 de julho, às 11h, e está aberto a toda comunidade acadêmica da UFSC. A transmissão será disponibilizada pela plataforma Zoom a partir do link.

Para mais informações, entrar em contato por meio do site do NEGPEI.

NEGPEI na Revista Lüvo: Contribuições para os Estudos Feministas de Segurança

16/06/2025 14:11

Recentemente foi publicado o vol. 12 da Revista Lüvo, marcando os 25 anos da agenda paz, mulheres e segurança. A revista é uma publicação da Fundación Lüvo — uma coletiva feminista antirracista com sede em Bogotá e Montréal. A revista se dedica à circulação de reflexões, experiências e produções acadêmicas, artísticas e ativistas que dialogam com perspectivas feministas, decoloniais e antirracistas sobre paz, segurança, violências e resistências. Esta edição reúne contribuições de pesquisadoras, ativistas e artistas de diversas partes do mundo, abordando temas como as lutas das mulheres curdas, a resistência em Myanmar, a agenda Mulheres, Paz e Segurança, os impactos da guerra na Ucrânia, e reflexões sobre segurança, memória e justiça.

Nesta edição, a pesquisadora Alessandra Jungs de Almeida, do Núcleo de Estudos de Gênero na Política Externa e Internacional (NEGPEI/UFSC), e Priscyll Anctil Avoine publicaram o texto “Thinking and Resisting from Abya Yala: Collective Contributions to Feminist Security Studies“. O texto apresenta uma reflexão sobre como pesquisadoras feministas das Américas vêm construindo, de forma coletiva, saberes e práticas críticas no campo dos Estudos Feministas de Segurança, a partir de olhares enraizados nas realidades do Sul Global.

A revista está disponível gratuitamente no site da Fundación Lüvo: www.fundacionluvo.org e o texto pode ser lido aqui.

Profª. Dra. Mónica Salomón publica artigo em coautoria na Revista Contexto Internacional

28/05/2025 15:04

A coordenadora do NEGPEI, Profª Dra. Mónica Salomón, em coautoria com o mestrando Luis Gustavo de Araújo Zimmer, publicou o artigo intitulado “‘Brazil is a Christian and Conservative Country with Family as its Foundation’: The Role of Defender of the Faith in Bolsonaro’s Foreign Policy” na revista Contexto Internacional.

No texto, os autores buscam ilustrar a atuação da política externa do governo Bolsonaro, por meio de dois conjuntos de iniciativas que representam mudanças drásticas nas posições diplomáticas brasileiras: o apoio a Israel na votação das resoluções da ONU sobre o conflito israelo-palestino e a mudança de posições progressistas para conservadoras nas discussões sobre direitos de gênero em espaços multilaterais.

O texto completo para leitura já está disponível. Acesse pelo link.

NEGPEI convida: I Seminário Nacional Atores e Agendas de Política Externa

01/04/2025 16:52

O NEGPEI convida para o I Seminário Nacional Atores e Agendas de Política Externa, que ocorrerá nos dias 11 e 12 de setembro de 2025.

O evento conta com a participação da Profª. Dra. Mónica Salomón, coordenadora do NEGPEI, e da integrante Alessandra Jungs de Almeida na organização.

O evento contará com uma programação diversa, incluindo palestras, mesas-redondas, workshops e apresentações de pesquisa, proporcionando um espaço de troca de conhecimento e reflexão sobre a atuação de diferentes atores na formulação e implementação da política externa. Entre os temas abordados estarão as relações diplomáticas, a governança climática, os conflitos internacionais, os desafios ao multilateralismo e regionalismo, dentre outras questões essenciais para compreender a dinâmica da inserção internacional dos Estados na atualidade.

A partir de 7 de abril, a organização estará recebendo submissões de artigos para apresentação em Grupos de Trabalhos e de posters para exposição, além da inscrição de ouvintes.

Mais informações podem ser encontradas no instagram (@atores.agendas.pe) e no site do evento.

Publicado livro apoiado por NEGPEI: Estudios Feministas de Seguridad desde América Latina y el Caribe

25/02/2025 12:05

Já está disponível o livro Estudios Feministas de Seguridad desde América Latina y el Caribe (UFSC, 2025), editado por Alessandra Jungs de Almeida, um esforço transnacional e feminista para repensar a segurança na região.

Apoiado pelo NEGPEI, o livro conta com um prefácio da coordenadora Profa. Mónica Salomón e foi organizado por Alessandra Jungs de Almeida, ambas do NEGPEI.

🔗 Accede al libro aquí.

Resumo: El libro Estudios Feministas de Seguridad desde América Latina y el Caribe” es un proyecto colectivo, transnacional y feminista que reúne a activistas políticas, trabajadoras del ámbito de la seguridad y defensa en gobiernos y organizaciones no gubernamentales, así como a académicas de la región. Reunindo más de 30 contribuyentes, su principal objetivo es analizar los problemas de seguridad desde una perspectiva feminista y visibilizar las acciones de resistencia organizadas en la región, abriendo caminos para el pensamiento feminista sobre seguridad en las Relaciones Internacionales y fomentando nuevas iniciativas desde la autogestión comunitaria y/o en diálogo con actores estatales.

Los estudios feministas de seguridad, tal como se conciben en el libro, constituyen un espacio de colaboración para pensar y actuar frente a los problemas de seguridad desde una perspectiva feminista. Estos desafíos afectan el trabajo, activismo, investigaciones y vidas de las autoras del libro. A través de análisis teóricos, activismo político y experiencias de campo, las autoras combinan la crítica a políticas gubernamentales ineficaces con el reconocimiento de prácticas de resistencia ya existentes, como el activismo de datos y la organización comunitária, redefiniendo ontológicamente el concepto de seguridad en su dimensión política y teórica.

¿Qué seguridad es esta que permite que nos maten e ignora constantemente la protección de nuestras vidas como prioridad política? ¿Cuáles son las estrategias comunitarias, organizativas, teóricas y políticas que podemos desarrollar? Estas son preguntas clave que guían los debates de este libro, que amplían los márgenes de los estudios de seguridad mediante enfoques regionales e interseccionales, e inspiran a actuar desde y más allá de este proyecto colectivo.

🔗 Accede al libro aquí.

¡Lanzamiento del libro apoyado por NEGPEI: Estudios Feministas de Seguridad desde América Latina y el Caribe!

11/02/2025 19:54

¡Lanzamiento del libro apoyado por NEGPEI: Estudios Feministas de Seguridad desde América Latina y el Caribe!

📅 27 de febrero, 2025
⏰ 16h (CDMX) | 17h (Bogotá) | 19h (Buenos Aires y Brasília)
📌 Regístrate aquí.

Este evento presenta el libro Estudios Feministas de Seguridad desde América Latina y el Caribe (UFSC, 2025, editado por Alessandra Jungs de Almeida desde Amassuru), un proyecto colectivo, transnacional y feminista que reúne activistas, trabajadoras del ámbito de la seguridad y defensa, y académicas de la región. Con más de 30 contribuyentes, analiza la seguridad desde una perspectiva feminista y visibiliza resistencias organizadas en la región, abriendo caminos para el pensamiento feminista en las Relaciones Internacionales y fomentando nuevas iniciativas desde la autogestión comunitaria o en diálogo con actores estatales.

¿Qué seguridad es esta que permite que nos maten e ignora nuestra protección como prioridad política? ¿Cuáles estrategias comunitarias, organizativas, teóricas y políticas podemos desarrollar? Estas preguntas guían los debates de este libro y evento, ampliando los márgenes de los estudios de seguridad con enfoques regionales e interseccionales, e inspirando a actuar más allá de este proyecto colectivo.

Veja o vídeo completo, em espanhol, do lançamento do livro:

Pesquisadora do NEGPEI participa de painel sobre Estudos Feministas de Segurança no MIT

04/02/2025 16:11

Feminist Security Studies: Collectively Building Theory and Practices about Security in the Americas

RSVP HERE

In this panel, we discuss two forthcoming books: Feminist Security Studies in the Americas: Pushing the Fronteras (Palgrave Macmillan, 2025, in English) and Feminist Security Studies from Latin America and the Caribbean (Estudios Feministas de Seguridad desde América Latina y el Caribe, UFSC, 2025, in Spanish and Portuguese). Feminist Security Studies in the Americas: Pushing the Fronteras, edited by Priscyll Anctil and set for publication in 2025, served as an initial catalyst for this collective exploration. The book convenes voices from across the Americas, creating space for decolonial, anti-racist, queer and class-based perspectives within feminist security discussions.

This process led to the formation of the Feminicides and Feminist Security Studies reading group, supported by various projects, including the MIT Data + Feminism Lab, with over 100 participants from 14 countries. The reading group’s critical discussions evolved into essays by activists, government workers, and academics featured in the second book, Feminist Security Studies from Latin America and the Caribbean, edited by Alessandra Jungs de Almeida. Together, these books bring together a community of more than 40 authors and represent a collective, transnational feminist effort to address security issues from perspectives often marginalized in traditional security studies.

The panel brings together Priscyll Anctil Avoine, Alessandra Jungs de Almeida, and J.C.D. Calderón, all of whom contributed to both book projects. The discussion is facilitated by Patricia Garcia. The panel explores the main theoretical, epistemological, and methodological contributions of these edited volumes, including how they contest andro-anglo-centered knowledge production and expand the concept of feminist security.

Participants:

Priscyll Anctil Avoine is a researcher in Feminist Security Studies and Associate Professor in the Department of War Studies at the Swedish Defence University (Sweden). Her work focuses on women’s political militancy in leftist insurgencies and post-war contexts, particularly in Colombia and Nepal. Priscyll has over 10 years of experience in gender research and consulting with NGOs, civil society organizations, universities, and feminist and women’s collectives. She is also the director and activist of the Fundación Lüvo, a collective committed to developing feminist and anti-racist projects and publishing Revista Lüvo.

Julio César Díaz Calderón (They/Them) is a trans/feminist activist-scholar, poet, data scientist, and street educator. They have been published in different peer-reviewed journals in International Relations, Gender Studies, Literature, and Mathematics including Millennium: Journal of International StudiesInternational Feminist Journal of PoliticsRevista Interdisciplinaria de Estudios de Género de El Colegio de México, and Latin American Literary Review. They edited the special section on “Imagined and lived in/securities through poetry” in Critical Studies on Security (with Ahmad Qais Munhazim, 2024), the special issue on “The study of International Relations through queer/cuir and trans/feminist perspectives” in Relaciones Internacionales (with Gloria Cuesta Noguerales, 2025), and the special issue on “Transnational Black Feminist Poetics/Politics” in the International Feminist Journal of Politics (with K. Melchor Quick Hall, 2025). Currently, they are working on an edited volume on Re-Stor(y)ing in/as/against International Relations (with Elane Westfaul) and a monograph on Re-Telling International Relations From Latin America: As If Trans and Queer People Matter(ed).

Alessandra Jungs de Almeida holds a Ph.D. in International Relations from the Federal University of Santa Catarina (UFSC), Brazil. She is a postdoctoral associate at the Women’s and Gender Studies Program at the Massachusetts Institute of Technology (MIT) and an affiliated researcher at the Data + Feminism Lab (MIT) and the Center for Gender Studies in Foreign and International Policy (NEGPEI-UFSC). She earned a master’s degree in International Relations from the Federal University of Santa Catarina (UFSC) and a bachelor’s degree in International Relations from the Federal University of Santa Maria (UFSM), with a study period at the University of Santiago, Chile (USACH). As a feminist scholar, her work focuses on reproductive rights and gender-related violence. Jungs de Almeida theoretical foundation in these areas is grounded in an interdisciplinary approach, drawing from International Relations, Critical Data Studies, and Gender Studies.

Patricia Garcia holds a Master’s degree in City Planning from the MIT Department of Urban Studies and Planning. During her academic career, she served as a research assistant at the Data+Feminism Lab, where she collaborated on the development of technological tools which aid grassroots organizations in their work against gender-based violence. Prior to her studies at MIT, Patricia worked on developing violence reduction strategies and conducting organizational evaluations of the justice system in Mexico. She currently applies her expertise at the National Institute for Criminal Justice Reform, where she brings a holistic city planning perspective to her work. Patricia approaches urban gun violence through the lens of interconnected systems, advocating that effective solutions require collaboration across various city sectors and stakeholders. Her interdisciplinary background enables her to address complex urban challenges with comprehensive, system-wide strategies.

Organizer: Women’s and Gender Studies – MIT

Sponsors: Data + Feminism Lab, MIT Libraries Community Engagement, MIT-ICEO, MIT-SHASS

For questions, email wgs@mit.edu